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09 julho 2013

CINCO MOTIVOS PARA TOMAR UM CAFÉ

Eu não sei o motivo ao certo, mas, sentia-me confortado. Não sei se é uma boa ideia começar a conversa de uma maneira agradável ou simplificar tudo e tentar agradar a minoria. A fumaça era gostosa. Comecei a desejar, e desde então nunca larguei.

Sentei naquela cadeira velha de madeira. O tempo já tinha consumido todas as energias. Ela continuava por ali. Arrumava a louça no armário vestindo aquele pijama folgado. Me olhava e sorria de canto com o cabelo bagunçado de uma noite visitada pela insônia. Eu dormira mais que uma pedra. Coava o café enquanto me causava arrepios. Era uma vida cheia de vai e vem. Ah, o casamento! Era culpa ele a culpa.

O cheiro era o charme da casa. Desde que me acomodei na cadeira sentindo o vento gelado que passava pelas gretinhas da janela. Sentia os sopros. Ela ajeitava os pãezinhos na mesa. Dobrava algumas toalhas e ajustava no seu devido lugar. Cruzei as pernas e esperei o leite esquentar. Da mesma janela que ficava de frente a mesa, observava a folhagem das árvores voar pelo campo. Morávamos numa fazenda, no interior. Decidimos assim. Sem muitos apegos. 

Sempre acontecia da mesma maneira. O café que ela fazia dobrava as energias. E sinto falta quando me perco em sono durante as leituras. Às vezes, nem a música ajudava. E quando ajudava, largava o livro de canto e cruzava as pernas. Esperava a vida passar. Nada muito complexo. Era incrível a forma como estávamos vivendo, e, de certa maneira, um tanto melancólico. Eu sei.

Ele me esquentava naquela manhã de inverno. O frio fazia doer os dedos dos pés. Nem as meias davam conta. Os moletons já estavam exaustos das rotinas geladas. Era a vida de campo. Aquele café nunca mais seria o mesmo. Nem a minha paciência em aguardar o calor chegar. Sentia um frio numa brisa de verão. A lareira da sala não parava desde então. E nem aquela vontade de continuar por ali.